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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

UMA CONVERSA COM DEBORAH PRATES: SEM VER AS DIFICULDADES

Renato Landim

Após a sessão do documentário Uma simples cegueira, na mostra Assim Vivemos, no Centro Cultural Banco do Brasil, o RIO COMUNIDADE conversou com a protagonista do filme, a advogada Deborah Prates, sobre diversos assuntos ligados à acessibilidade e aos direitos dos deficientes físicos. Atualmente à frente da Comissão da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio, Deborah destacou um dos primeiros reveses que viria a sofrer tão logo ficou constatada sua cegueira, há cinco anos. “Perdi todos os meus clientes quando fiquei cega. As desculpas deles eram as mais variadas. Diziam que, dessa forma, eu não teria condições de acompanhar os processos, o que iria a ser feito por outra pessoa”, frisou.

Atualmente, dedica boa parte de seu tempo ao estudo da legislação voltada aos direitos dos deficientes físicos. Além disso, Deborah conta que, para se manter financeiramente, fazer palestras tem sido uma fonte de renda, que dá para cobrir algumas despesas. Ela aproveita a oportunidade para ressaltar a lacuna que existe no Rio de Janeiro para um deficiente visual obter um cão-guia. Jimmy, seu acompanhante, foi importado dos Estados Unidos e recebe todos os comandos são em inglês. “Trazer um cão-guia de outro país é uma tarefa bem complexa e exige cuidados, sobretudo muitos gastos”, disse a advogada, acrescentando que é uma realidade para poucos.

Deborah Prates, ainda a respeito do cão-guia, faz uma advertência àqueles deficientes visuais que entendem que todos os comandos têm que ser adotados pelo animal. “Costumo dizer que Jimmy é meus olhos, mas eu sou o cérebro dele”, esclarece ela. Deborah aponta para um detalhe muito comum entre seus pares: a transferência da dependência de fatores do quotidiano para o cachorro. “Creio que o deficiente visual deve se assumir diante da dificuldade e percebo que alguns ainda fingem que nem cegos são, talvez por temer receber a piedade das pessoas”, conta.

A advogada ressaltou que, assim como as pessoas que enxergam numa situação difícil pedem auxílio, os deficientes visuais precisam proceder da mesma forma. “Jimmy me ajuda desviando de obstáculos, mas quem decide andar para esquerda ou direita sou eu”, salienta. Deborah Prates espera que o documentário seja um elemento para que a sociedade compreenda melhor o dia-a-dia dos deficientes visuais, e defende o título do filme, alvo de algumas críticas. “Alguns recriminaram a menção da palavra simples. Quem escolheu a frase foram os diretores do filme e foi tirada do contexto de uma fala minha. Quero mostrar que a cegueira não limitou meus movimentos e levo uma vida normal”, destaca.
Deborah Prates, Jimmy e eu, durante sessão do Assim Vivemos, no CCBB

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