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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

“FELIZ ANO NOVO” PROVOCA EXPERIÊNCIA SENSORIAL

Texto e fotos Renato Landim

A partir de uma conversa com seu filho, o pai relembra um encontro num réveillon com a mulher que foi o amor de sua vida. Essa é a linha mestra da peça Feliz Ano Novo, do Teatro dos Sentidos, que neste fim de semana encerra sua temporada no Espaço do Museu do Universo do Planetário da Gávea. Entretanto, a proposta do grupo é de uma experiência sensorial na qual cada pessoa da plateia compreende o espetáculo de forma particular.

Antes de entrar na área da peça, o público recebe uma venda nos olhos e, dessa forma, deficientes visuais e videntes ficam em igualdades de condições. Durante a encenação, são estimulados o olfato, o paladar, a audição e o tato. Menos a visão. “Foi incrível. Essa é uma experiência na qual todas as pessoas deveriam passar, sendo um exercício de se colocar no lugar do outro”, destacou a empresária e cantora Ana Paula Cuba, que acompanhava a deficiente visual Ivete Rita. Ela revelou que, por algumas vezes, perdeu a compreensão de certas situações, pois o elemento visual é muito forte.

Acompanhada de Jimmy, seu cão guia, e de sua filha, a advogada Deborah Prates disse ter adorado a proposta da peça, pois sempre defendeu que a sociedade precisasse fazer o que classificou de “troca de máscara”, entendendo assim a realidade das pessoas que não enxergam. Ela ressaltou o fato de o espetáculo provocar em cada um a busca por um novo olhar sobre a narrativa. “Para os cegos não foi um desafio, mas um imenso prazer” revelou a advogada, acrescentando que entender uma atração cultural sem o recurso da audiodescrição é tudo o que deficiente visual deseja.

Ainda se refazendo da experiência com aromas, mugidos de vacas, champange, entre outros, a secretária Júlia Medeiros contou ter ficado encantada com a proposta da peça. “Nunca tinha sentido isso. Eu de fato me senti participando da história e, como tenho medo do mar, fiquei aflita com a cena do navio balançando. Fiquei com medo”, descreveu em meio a risos e procurando água para voltar à calma.

A autora, diretora do espetáculo e idealizadora do Teatro dos Sentidos, Paula Wenke, atribuiu a sua formação cristã o fato de suas realizações sempre privilegiarem o semelhante. “A princípio, as pessoas desconfiam, mas acabam se surpreendendo, pois ativam a memória, o imaginário”, ressalta. Além de trazer o público ao universo dos deficientes visuais com a peça, Paula salienta que incluiu no elenco pessoas que ela classifica de diferentes, como anãos, obesos e gays, entre outros, depois de certa vez ter sido indagada por um cadeirante de que poderia fazer o papel do comandante na trama.

“Feliz Ano Novo” terá sessões neste sábado e domingo, às 20h, na Gávea. Os ingressos custam R$ 30, 00. De acordo com a administração do Planetário, o espaço reúne condições de acessibilidade.
Público tem olhos vendados para acompanhar a peça Feliz Ano Novo
Espetáculo conduz à experiência sensorial: temporada 2011 encerra-se neste fim de semana

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